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Carta de um avô a sua neta


Raquel em 21 de outubro 2017  2 anos de vida e alegria.


A minha neta.

Pelo que você já me disse com os seus olhos de anjo, percebo que você me considera uma criança grandona e desajeitada, e me acha, mesmo assim, seu melhor companheiro de brinquedos.

Pena que tenhamos tão pouco tempo para brincar, tão pouco porque só sei brincar de passado, e você só sabe brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando você começar a brincar de esperança.

Mas antes que termine o nosso recreio juntos, antes que eu me torne apenas um retrato na parede ou em cima de um móvel, ou quem sabe até uma lágrima de meus filhos, quero lhe dizer minha neta, que vale a pena.

Vale a pena crescer e estudar. Vale a pena conhecer pessoas, ter namorados, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções, e a despeito de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana e o seu deslumbramento diante da vida.

Vale a pena confiar e obedecer ao Deus de seus pais e de seus avós, porque se tem alguém que nunca vai te abandonar é Ele. Principalmente nos dias de dor, tristeza e solidão, esses dias existem sim, mas Jesus vai estar ao teu lado você vai sentir.

Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga sua recompensa; que não há livro que não traga ensinamentos; que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar; que se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto com a vida do ignorante.

Vale a pena casar e ter filhos. Filhos, que nos escravizaram com o seu amor.

Vale a pena viver nesses assombrosos tempos modernos, em que milagres acontecem ao virar de um botão; em que se pode telefonar da Terra para a Lua; lançar sondas espaciais, máquinas pensantes à fronteira de outros mundos e descobrir na humildade, que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar um segundo sequer a chegada da primavera.

Vale a pena, mesmo quando você descobrir que tudo isso que estou tentando ensinar é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática, e cada um tem que aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre é azedo, que o espinho fere e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.

Vale a pena, até mesmo, envelhecer como eu e ter netos, que me devolvem a infância.

Vale a pena, ainda que sua lembrança de mim se torne vaga. Mas, quando os outros disserem coisas boas de seus avós, quero que você diga de mim, simplesmente isso:

“Meu avô foi aquele que me disse que valia a pena. E não é que ele tinha razão?!”

 

 

 

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POR QUE AS PESSOAS SOFREM ?

 

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– Vó, por que as pessoas sofrem ???

– Como é que é ???

– Por que as “pessoas grandes” vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa ???

– Bem, minha filha, muitas vezes porque elas foram ensinadas a viver assim.

(silêncio).

– Vó…

– Oi…

– Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal ??? Não consigo entender.

– É que elas não percebem que foram ensinadas a ser infelizes, e não conseguem mudar o que as torna assim. Você não está entendendo, não é, meu amor ???

– Não, Vovó.

– Você lembra da historinha do Patinho Feio ???

– Lembro.

– Então…, o Patinho se considerava feio porque era diferente de todo mundo. Isso deixava-o muito infeliz e perturbado, tão infeliz que um dia ele resolveu ir embora viver sozinho. Só que o Lago que ele procurou para nadar tinha congelado, e estava muito frio. Quando ele olhou para seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne. E assim se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.

(mais silêncio)…

– O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas ???

– Bem, quando nascemos, somos separados de nossa “natureza-cisne”. Ficamos como patinhos, tentando caber no que os outros dizem que está certo. Então passamos muito tempo tentando virar patos.

– É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas ???

– Isso !!! Viu como você é esperta ???

– Então é só a gente perceber que somos cisnes que tudo dá certo ???

(engasgou)…

– O que foi, vovó ???

– Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim. Você lembra o que o patinho precisava fazer para se enxergar ???

– O que ???

– Ele primeiro precisava parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.

– Por isso ele passou muito frio, não é, vovó ???

– Passou frio e ficou sozinho no inverno.

– Por isso que o papai anda tão sozinho e bravo ???

– Como é, minha filha ???

– Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro…(emudeceu durante algum tempo). Essas crianças…

– Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato ???

– Todos nós somos, querida.

– Ele vai descobrir quem ele é, de verdade ???

– Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que procurar ajuda até encontrarmos.

– E aí viramos cisnes ???

– Nós já somos cisnes. Apenas deixamos que o cisne venha para fora, e tenha espaço para viver.

(A menina deu um pulo da cadeira).

– Aonde você vai ???

– Vou contar para o papai, o cisne bonito que ele é.

A boa vovó apenas Sorriu !!!

 

(AUTOR: Marco Antonio Spinelli)