Bíblia, Conto

QUANTO VOCÊ DEVE?

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Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, seguindo por longa estrada. Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. Verificaram e descobriram um homem caído.

Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próxima ao coração. Tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência. Com muita dificuldade, mestre e discípulo o carregaram para o casebre rústico, onde viviam. Lá trataram do ferimento. Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca. Disse também que conhecia seu agressor, e que não descansaria enquanto não se vingasse. Disposto a partir, o homem disse ao sábio:
“Senhor, muito lhe agradeço por ter salvado a minha vida. Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.”

O mestre olhou fixo para o homem e disse:
“Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.”
O homem ficou assustado e disse:
“Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!”

Com serenidade, tornou a falar o sábio:
“Se não pode pagar pelo bem que recebeu, com que direito quer cobrar o mal  que lhe fizeram?”

O homem ficou confuso, e o mestre concluiu:

“Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que aconteçam em sua vida, pois a vida pode lhe cobrar tudo de bom que lhe ofereceu.”

(Matheus 18)

18.23   Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.


18.24   E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.


18.25   Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.


18.26   Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei.


18.27   E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.


18.28   Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.


18.29   Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei.


18.30   Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.


18.31   Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera.


18.32   Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste;


18.33   não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?


18.34   E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida.


18.35   Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

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COBRADOR

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Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, seguindo por uma longa estrada. Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. Verificaram e descobriram, caído, um homem. Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próximo ao coração. O homem tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência. Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem para o casebre rústico, onde trataram do ferimento. Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca. Disse que conhecia seu agressor, e que não descansaria enquanto não se vingasse. Disposto a partir, o homem disse ao sábio:
– Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo minha vida. Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti. O mestre olhou fixo para o homem e disse:
– Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz. O homem ficou assustado e disse:
– Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!
– Se não podes pagar pelo bem que recebestes, com que direito queres cobrar o mal que lhe fizeram? O homem ficou confuso e o mestre concluiu: – Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que te aconteçam nessa vida, pois essa vida pode lhe cobrar tudo que você deve. E com certeza você vai pagar muito mais caro.