Amor, Inocência, mae

Ser mãe

Deitei ao lado da minha filhinha, nariz com nariz.
Pra tentar ajudar ela a pegar no sono, eu fingi que tinha dormido.
Ela, com aquela mini mão gordinha, começou a acariciar meu rosto
bem devagar, deslizava pelas minhas bochechas, descia as mãos
delicadamente até meus lábios e aí os desenhava com seus dedinhos gordos.
Enrolava devagar uma mechinha do meu cabelo que estava na testa.
Quando eu estava ali me sentindo o ser mais amado do universo,
ela sussurra baixinho:
– Mamãe…
Abri uma brechinha dos meus olhos, sorri e disse, sussurrando também:
– Oi meu amor…
E ela com aquela voz de fada:
– Mamãe, você é muito feia…

Como diria Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças”

PENSE UM POUCO…

criança, Exemplo

Ainda bem que você veio!

Criança pediu R$ 1, ganhou R$ 5, e esperou por funcionário voltar para devolver troco. História aconteceu em Santo Antônio da Platina, no norte do Paraná, e viralizou na internet


– Vc vai cortar a luz, moço? Perguntou a mulher sentada num banco de madeira, acompanhada por 3 crianças descalças.
– Sim, respondi. – Tudo bem, estou com duas atrasadas, mas só recebo dia 9.
– Mas hoje é dia 9, ponderei.
– Sério?
– Sério, e se a senhora pagar hoje é só pedir a religação que antes das 6 eu volto!
– Combinado, disse ela! Pra mim o “corte” é uma atividade desagradável, em qualquer circunstância, apesar de obrigatório, e se a família for pobrezinha é mais doído ainda: a tal atividade “culposa” (sem intenção de cortar!). Antes de sair, enquanto encerro o serviço no tablet, as 3 crianças se aproximam e pedem:
– Moço, vc tem 1 real? Sem moedas no bolso, abri a carteira e encontro uma solteira nota de 5 reais… Entrego pro menino e ordeno:
– É pra vc repartir com suas irmãzinhas. Ele balançou a cabeça positivamente, e falou: “tábão”! Fui embora pensando nas crianças pidonchando, mas, vida que segue! Bem de tardezinha caiu a religação da casinha de madeira torta… Segui pra lá… Eu tinha o dever de devolver luz para aquela criançadinha, era, pra mim, o momento da redenção. Ao ouvir o barulho da camionete, todos saíram eufóricos. O menino (Eugênio) vem até mim e diz todo alegrinho:
– Ainda bem que vc veio! Pensei que tivesse feliz pela luz… Só que não… Ele abre sua mãozinha suja e suada e exclama:
– Toma seu troco! Naquele instante, ao me devolver 2 reais “Geninho” estava me mostrando o maior exemplo de honestidade e responsabilidade que eu já tinha visto na vida.
– Não, não quero troco… Era tudo de vcs!
– Mas não era 1 real pra cada um? Perguntou!
– Pode ficar pra vcs!

Pois é, minha gente… No momento em que nosso país vive uma monstruosa crise moral, onde as instituições governamentais estão todas contaminadas pela ladroagem, rapinagem, farolagem e corrupção, me aparece um menino todo sujo e me faz crer que nosso país ainda tem jeito! Às vezes a gente chora de alegria! Hoje, definitivamente, vou dormir feliz! Bom final de semana, Eugênio!

 


O eletricista João Neto faz trabalho voluntário e participou de ação
no Dia das Crianças (Foto: João Cândido da Silva Neto)

criança, Cultura, Educação, engano

Carta aberta à dona Regina

Se você não conhece Dona Regina assista ao vídeo (menos de 3 min), e depois leia a carta aberta à Dona Regina escrita pelo escritor e jornalista Luciano Trigo, o tema é a polêmica em museus no RJ, SP e RS.

 

 

 

 

 

Não sei como chegou até a senhora a notícia da performance no Museu de Arte de Moderna de São Paulo, na qual uma menina de 5 anos foi estimulada pela mãe a interagir fisicamente com um homem adulto nu – para deleite de uma plateia de adultos vestidos. Também não faço ideia de como a senhora foi parar na plateia de um programa televisivo cuja intenção não parecia ser expor diferentes pontos de vista sobre o episódio, mas sim reforçar um pensamento único e um julgamento sumário – o de desqualificar qualquer crítica à performance como “censura”.
O que eu sei é que a senhora entendeu algo que passou despercebido ao discurso hegemônico dos intelectuais e artistas que se manifestaram sobre o caso: o problema da performance não estava na nudez; o problema da performance não estava nas fronteiras da definição do que é arte; o problema da performance não estava no uso de recursos públicos. Com uma só palavra a senhora desmontou a fala daqueles que, de maneira sincera ou falsa, insistiam nesses pontos: a palavra foi “criança”.
Talvez a senhora não se dê conta da importância da sua manifestação. Com seu jeito simples, o que a senhora fez foi revelar o abismo crescente que se cava entre os brasileiros comuns e a classe que pretende falar em seu nome. Esses brasileiros não se chocam com a nudez nem estão interessados na arte das elites pensantes e falantes, até porque têm mais o que fazer. Mas, para esses brasileiros, a infância é uma fronteira que não pode ser ultrapassada. O que a senhora fez foi vocalizar o desconforto do Brasil real diante desse limite que foi desrespeitado.
A reação dos apresentadores foi reveladora desse abismo. Diante de uma idosa que poderia ser a mãe ou avó querida de qualquer espectador, as expressões e olhares foram de: perplexidade, ódio, desprezo, deboche. E a senhora respondeu com um olhar de bondade, sereno e doce. Ao “Não vou nem comentar” emitido com ar de desdém e superioridade moral, a senhora respondeu com a paciência de quem não se incomoda em explicar o óbvio: o choque não vinha da nudez do adulto, vinha da exposição da criança. E o fato de a menina estar acompanhada da mãe não era um atenuante da situação: era um agravante.
Diferentemente dos intelectuais do Facebook, a senhora sabe que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o Davi de Michelangelo; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o que acontece em praias de nudismo, onde aliás as regras são bastante rígidas; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com os hábitos e costumes da Dinamarca; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com uma criança tomar banho nua com os pais – adultos cujo vínculo afetivo e convivência cotidiana fazem do contato físico e da intimidade uma experiência positiva e saudável para o seu desenvolvimento emocional e psicológico – como aliás afirma uma nota na Associação Médica Brasileira que critica duramente a performance, por suas “repercussões imprevisíveis” diante da vulnerabilidade emocional da criança.

Não se se esses intelectuais das redes sociais não entendem ou se fingem que não entendem nada disso. O mais irônico, Dona Regina, é que eles parecem não se dar conta da campanha involuntária que estão fazendo, ao jogarem no colo da direita a bandeira da defesa da infância – como já jogaram, aliás, a bandeira do combate à corrupção. Com progressistas agindo dessa maneira, os conservadores agradecem.
Parabéns, Dona Regina. Para quem assistiu foi muito legal.

ensino

ONDE ESTÁ A DIFERENÇA ?

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Certa mãe carregando nos braços um bebê, entrou num consultório médico e, diante deste, começou a lamuriar-se:

– Doutor, o senhor precisa me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida de novo! Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro.

Indaga o médico:

– Muito bem… e o que a senhora quer que eu faça?

A mulher, já esperançosa, respondeu:

– Desejo interromper esta gravidez e quero contar com sua ajuda.

O médico pensou alguns minutos e disse para a mulher:

– Acho que tenho uma melhor opção para solucionar o problema e é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorria, certa que o médico aceitara o seu pedido, quando o ouviu dizer:

– Veja bem, minha senhora… para não ficar com dois bebês em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, o outro poderá nascer…

Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar o que a senhora tem nos braços é mais fácil e a senhora não corre nenhum risco.

A mulher apavorou-se:

– Que horror!!! Matar uma criança é crime!!! É infanticídio!!!

O médico sorriu e, depois de algumas considerações, mostrou a mãe de que não existe a menor diferença entre matar uma criança ainda por nascer (mas que já vive no seio materno) e uma já crescida.

O crime é exatamente o mesmo.

felicidade, feliz, Motivacional

POR QUE AS PESSOAS SOFREM ?

 

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– Vó, por que as pessoas sofrem ???

– Como é que é ???

– Por que as “pessoas grandes” vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa ???

– Bem, minha filha, muitas vezes porque elas foram ensinadas a viver assim.

(silêncio).

– Vó…

– Oi…

– Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal ??? Não consigo entender.

– É que elas não percebem que foram ensinadas a ser infelizes, e não conseguem mudar o que as torna assim. Você não está entendendo, não é, meu amor ???

– Não, Vovó.

– Você lembra da historinha do Patinho Feio ???

– Lembro.

– Então…, o Patinho se considerava feio porque era diferente de todo mundo. Isso deixava-o muito infeliz e perturbado, tão infeliz que um dia ele resolveu ir embora viver sozinho. Só que o Lago que ele procurou para nadar tinha congelado, e estava muito frio. Quando ele olhou para seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne. E assim se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.

(mais silêncio)…

– O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas ???

– Bem, quando nascemos, somos separados de nossa “natureza-cisne”. Ficamos como patinhos, tentando caber no que os outros dizem que está certo. Então passamos muito tempo tentando virar patos.

– É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas ???

– Isso !!! Viu como você é esperta ???

– Então é só a gente perceber que somos cisnes que tudo dá certo ???

(engasgou)…

– O que foi, vovó ???

– Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim. Você lembra o que o patinho precisava fazer para se enxergar ???

– O que ???

– Ele primeiro precisava parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.

– Por isso ele passou muito frio, não é, vovó ???

– Passou frio e ficou sozinho no inverno.

– Por isso que o papai anda tão sozinho e bravo ???

– Como é, minha filha ???

– Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro…(emudeceu durante algum tempo). Essas crianças…

– Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato ???

– Todos nós somos, querida.

– Ele vai descobrir quem ele é, de verdade ???

– Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que procurar ajuda até encontrarmos.

– E aí viramos cisnes ???

– Nós já somos cisnes. Apenas deixamos que o cisne venha para fora, e tenha espaço para viver.

(A menina deu um pulo da cadeira).

– Aonde você vai ???

– Vou contar para o papai, o cisne bonito que ele é.

A boa vovó apenas Sorriu !!!

 

(AUTOR: Marco Antonio Spinelli)