ensino

O ÚLTIMO CONSELHO DE UM SÁBIO

lingua

“O discípulo de um filósofo foi procurar seu mestre que estava para morrer e perguntou-lhe:
– Não terias mais alguma coisa a dizer a teu discípulo?
O sábio, então, abriu a boca e ordenou ao jovem que olhasse lá dentro.
– Vês minha língua? – perguntou.
– Claro – respondeu o discípulo.
– E os meus dentes, ainda existem perfeitos?
O discípulo replicou:
– Não…
– E sabes por que a língua sobrevive aos dentes? … É porque é mole e flexível. Os dentes se acabam e caem primeiro porque são duros. Assim aprendeste tudo o que vale a pena aprender. Nada mais tenho a ensinar-te.”

Mateus 11.29

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração;
e achareis descanso para a vossa alma.”

lição de vida, Sabedoria

LENDA SIOUX

 

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Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do ancião da tribo …
– Nós nos amamos… e vamos nos casar – disse o jovem.
– E nos amamos tanto que queremos um conselho ou alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos… que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
– Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada…
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo – continuou o ancião – deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada… no dia estabelecido, à frente da tenda do ancião, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos… e viu eram verdadeiramente formosos exemplares…
– E agora o que faremos? – perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? – propôs a jovem.
– Não! – disse o ancião, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro… quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres…
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros… a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho disse:

– Jamais esqueçam o que estão vendo… este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão… se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro… Se quiserem que o amor entre vocês perdure…Voem juntos mas jamais amarrados”.