Conto, Drama, reflexão, SOFRIMENTO, Vida

A condenação de Cornélio Mansur

Era uma vez um rapaz que se chamava Cornélio Mansur, de origem muito humilde, mas rico em honestidade e na atenção que dedicava aos amigos e à esposa. Não havia quem não gostasse dele. Fazia amizade com facilidade e estava sempre disposto a ajudar. Não era ganancioso e nem orgulhoso. Era o que chamariamos de “boa praça”, no mais amplo sentidoda palavra.

por outro lado, sua esposa Berrnadette (com dois erres e dois tês) cinco anos mais velha, era completamente diferente. Rabugenta e vaidosa, agia como se fosse a dona da razão; infernizava a vida do rapaz e estava sempre de mau humor. Berrnadette (com dois erres e dois tês) era baixinha, atarracada, combraços de marinheiro e uma vasta cabeleira negra. Não havia uma vez que fosse à feira que não arrumasse confusão. E não era só na feira.

Os vizinhos, tres quarterões acima e tres quarteirões abaixo, já conheciam a sua fama.

Na hora do pão das tres, Berrnadette (com dois erres e dois tês) entrava na padaria como se fosse a dona. Nariz empinado e estalando os tamancos no chão, furava a fila do caixa. Aí, com o maior descaramento, apertava cada um dos pães no cesto e depois dizia: “Embrulha esse, que estou com pressa!”

O coitado do Cornélio Mansur vivia envergonhado com a esposa . E não só por isso, mas também pela roupa mal passada que usava, pois Berrnadette (com dois erres e dois tês) nunca quis saber do serviço de casa. Depois de um dia cansativo, Cornélio Mansur ainda tinha que enfrentar o fogão, o tanque, o ferro e a vassoura.

Enquanto ele fazia jornada dupla, Berrnadette (com dois erres e dois tês) se esparramava no sofá, pra assistir novela, ai de Cornélio Mansur se quisesse assistir outra coisa. Era um vexame quando o moço se detinha por algum tempo conversando na portaria do prédio e vinha aquele berro do terceiro andar: “Cornéliôoo, sóóóbe!!”, Era ela, Berrnadette (com dois erres e dois tês) com a cara cheia de pasta para espinhas e uma touca plástica cobrindo os rolinhos engalfinhados nos cabelos. E lá ia cabisbaixo, a obedecer ao comando da esposa.

“Que rapaz espetacular!”, pensavam os vizinhos e parentes. “É tão humilhado pela mulher e ainda a tratar como uma rainha”. Mas como tudo na vida tem o seu limite, um dia a paciência do rapaz acabou. Num daqueles sábados abafados do Rio de janeiro, Cornélio Mansur, que por onze anos trabalhava como balconista da mesma loja de tecidos na Rua da Alfândega, pediu ao patrão para sair mas cedo.

Era aniversáriio da Berrnadette (com dois erres e dois tês) e ele queria fazer uma surpresa. Tinha visto uma peça de carne seca na feira, do jeito que Berrnadette (com dois erres e dois tês) gostava e queria comprá-la antes que outro a levasse. Comprou também uma abóbora e uma panela de pressão. Iria preparar o prato predileto da Berrnadette (com dois erres e dois tês): Carne seca com abóbora.

Não foi fácil carregar aquilo tudo no 984 Castelo-Méier, que andava sempre superlotado. Quando chegou em casa estava esgotado mas feliz. Abriu a porta e, para sua decepção, encontrou Berrnadette (com dois erres e dois tês) que não o esperava tão cedo, comemorando o aniversário nos braços do Tião Bastião, mecânico da oficina, que nem sequer teve a consideração de tirar o macacão cheio de graxa para deitar em sua cama.

Cornélio mansur ficou bravo e, num ataque de fúria, tascou a panela de pressão na cabeça da mulher, que caiu durona no chão.

no dia do julgamento, o juiz não levou nem duas horas. Eram tantas as testemunhas a favor de Cornélio Mansur que ele entendeu o crime como passional e absorveu o réu. Agora livre, solteiro e sem Berrnadette (com dois erres e dois tês) para lhe assaltar o bolso, Cornélio mansur vivia uma prosperidade que jamais tivera.

Mudou-se para um apartamento menor, mas de frente para a praia de Botafogo. Vendeu alguns móveis e comprou um carro. Ganhou uma promoção no emprego e passou a gerente. Prestações em dia, poupança crescendo; Cornélio mansur era o retrato da felicidade. Até… pois é tem um até que o destino lhe armou outra arapuca.

Num dia de Finados levado pela saudade,, foi colocar flores no túmulo da falecida no Cemitério do Caju. Quem encontrou? Quem?… Quem?… Cleonnette (com dois enes e dois tês) a irmã mais velha de Berrnadette (com dois erres e dois tês) Já não se viam há longo tempo. Conversaram, choramingaram. O rapaz mais uma vez pediu perdão pelo ocorrido e ofereceu-lhe carona.

A carência os aproximou e algum tempo depois o inevitável aconteceu: casaram-se! Lá foi o infeliz para mais uma furada, enganado pelo próprio coração.

Para encurta a história, a Cleonnette (com dois enes e dois tês)  era pior que a Berrnadette (com dois erres e dois tês), e com um agravante: três anos mais velha! Dois anos de inião, dois anos de infelicidade. Até que um dia, durante uma discurssão acalorada, a mulher saca de uma arma e grita:

-Tu não me matar como fez com minha irmã. Primeiro vai tu.

Mandou bala no Cornélio Mansur. O rapaz pulou para baixo do sofá, enquanto uma das balas ricocheteava na parede e voltava incandescente para o peito da Cleonnette (com dois enes e dois tês), ao cair no chão, o revolver  escorregou de sua mão e foi para junto do rapaz, que o apanhou e se pos de pé. Nesse momento os vizinhos invadiram o apartamento e gritaram:

– Assassino, assassino!! Matou a mulher!!

por ser reincidente, o caso foi parar no mesmo juiz que o julgara da primeira vez. Novamente o juiz não levou nem duas horas para proferir a sentença:

– O réu é culpado e condenado a cumprir pena de reclusão pelo período  de 70 anos e 7 dias

– Senhor juiz – apelou Cornélio Mansur – eu não matei. Ela morreu com o p´roprio disparo!

– Pelo incidente que causou a morte de Cleonnette (com dois enes e dois tês) – explicou o juiz – o senhor cumprirá os sete dias da setença. Os outros 70 anossão por ter casado de novo e, pior com a mulher errada!

E assim bateu o martelo e deu o caso por encerrado. A história é engraçada, mas o assunto é sério e serve de alerta para alguns jovens que desejam se casar. O casamento é um passo crucial na vida. Cuidado com as Berrnadette (com dois erres e dois tês) e Cleonnette (com dois enes e dois tês) (simbolicamente, seja o homem ou mulher) da vida. Caso contrário você  vai fazer companhia a Cornélio Mansur. Talvez não no presídio, mas preso às grades de um casamento infeliz.

Drama, engano

A porta mais larga do mundo

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Conta-se que um dia um homem parou na frente do pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta e falou em voz alta: dois metros de altura por oitenta centímetros de largura.

Admirado mediu-a de novo.

Como se duvidasse das medidas que obteve, mediu-a pela  terceira vez.

E assim tornou a medi-la várias vezes.

Curiosas, as pessoas que por ali passavam começaram a parar.

Primeiro um pequeno grupo, depois um grupo maior, por fim uma multidão.

Voltando-se para os curiosos o homem exclamou, visivelmente impressionado:

-Parece mentira! Esta porta mede apenas dois metros de altura e oitenta centímetros de largura, e no entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, meu carro, o pão dos meus filhos, passaram os meus móveis, a minha casa com terreno.

E não foram só os bens materiais.

Por ela também passou a minha saúde, passaram as esperanças da minha esposa, passou toda a felicidade do meu lar…

Além disso, passou também a minha dignidade, a minha honra, os meus sonhos, meus planos…

Sim, senhores, todos os meus planos de construir uma família feliz, passaram por esta porta, dia após dia… gole por gole.

Hoje eu não tenho mais nada…

Nem família, nem saúde, nem esperança.

Mas quando passo pela frente desta porta, ainda ouço o chamado daquela que é a responsável pela minha desgraça…

Ela ainda me chama insistentemente…

Só mais um trago!

Só hoje!

Uma dose, apenas!

Ainda escuto suas sugestões em tom de zombaria:

“você bebe socialmente, lembra-se?”

Sim, essa era a senha.

Essa era a isca.

Esse era o engodo.

E mais uma vez eu caía na armadilha dizendo comigo mesmo:

“quando eu quiser, eu paro”.

Isso é o que muita gente pensa, mas só pensa…

Eu comecei com um cálice, mas hoje a bebida me dominou por completo.

Hoje eu sou um trapo humano…

E a bebida, bem, a bebida continua fazendo as suas vítimas.

Por isso é que eu lhes digo, senhores: esta porta é a porta mais larga do mundo!

Ela tem enganado muita gente…

Por esta porta, que pode ser chamada de porta do vício, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que se tem de mais caro na vida.

Hoje eu sei dos malefícios do álcool, mas muita gente ainda não sabe.

Ou, se sabe, finge que não, para não admitir que está sob o jugo da bebida.

E o que é pior, têm esse maldito veneno, destruidor de vidas, dentro do próprio lar, à disposição dos filhos.

Ah, se os senhores soubessem o inferno que é ter a vida destruída pelo vício, certamente passariam longe dele e protegeriam sua família contra suas ameaças.

Visivelmente amargurado, aquele homem se afastou, a passos lentos, deixando a cada uma das pessoas que o ouviram, motivos de profundas reflexões.

“Entrai pela porta estreita, larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela.”

Mateus 7:13

Drama, lição de vida, Sabedoria

As duas joias

Há muito tempo um pastor dedicado, vivia muito feliz com sua família: uma esposa admirável e dois filhos queridos.
Certa vez empreendeu longa viagem, ausentando-se do lar por vários dias. No período, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. A mãe sentiu o coração dilacerado de dor.
No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. Mas, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? Temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma oração, rogando a Deus auxílio para resolver a difícil questão.
Alguns dias depois, num final de tarde, o pastor retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos. Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos filhos.
Alguns minutos depois, estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:

– Deixe os filhos. Primeiro quero que você me ajude a resolver um problema que considero grave.
O marido, já um pouco preocupado, perguntou:
– O que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.
– Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas joias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse… Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz?
– Ora, mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades! Por que isso agora?
– É que nunca havia visto joias assim! São maravilhosas!
– Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.
– Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!

E o religioso respondeu com firmeza:

– Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.
– Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As joias preciosas eram nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem Ele veio buscá-los. Eles se foram…

O religioso compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram lágrimas.

Drama, engano, Opinião

Esposa 1.0

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Prezado Técnico,

Há um ano e meio troquei o programa [ Noiva 1.0] pelo
[ Esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um
aplicativo inesperado chamado [ Bebê.exe ] que ocupa
muito espaço no HD.
Por outro lado, o [ Esposa 1.0] se auto-instala em
todos os outros programas e é carregado
automaticamente assim que eu abro qualquer
aplicativo.

Aplicativos como [ Sair_Com_A_Turma 2.3],
Noite_De_Farra 2.5] ou [ Domingo_De_Futebol 2.8],
não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu
tento carregá-los novamente.
Além disso, de tempos em tempos um executável oculto
(vírus) chamado [Sogra 6.66] aparece, encerrando
abruptamente a execução de um comando.
Não consigo desinstalar este programa. Também não
consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0 ]
quando estou rodando meus aplicativos preferidos.
Sem falar também que o programa [Sexo 5.1] sumiu do HD.

Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava
antes, o [Noiva 1.0], mas o comando [ Uninstall.exe ]
não funciona adequadamente.

Poderia ajudar-me? Por favor!

Ass: Usuário Arrependido

RESPOSTA:

Prezado Usuário,

Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é
devido, na maioria das vezes, a um erro básico de
conceito: muitos usuários migram de qualquer versão
[Noiva x.0] para [ Esposa 1.0] com a falsa idéia de
que se trata de um aplicativo de entretenimento e
utilitário.

Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso:
é um sistema operacional completo, criado para
controlar todo o sistema!

É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar
para uma versão [Noiva x.0], porque há aplicativos
criados pelo [Esposa 1..0 ], como o [ Filhos.dll ], que
não poderiam ser deletados, também ocupam muito
espaço, e não rodam sem o [ Esposa 1.0].

É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os
arquivos dos programas depois de instalados. Você
não pode voltar ao [ Noiva x.0] porque [ Esposa 1.0]
não foi programado para isso.

Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema
para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [ Esposa
2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes
(leia os capítulos ‘Cuidados Gerais’ referente a
‘ Pensões Alimentícias’ e ‘ Guarda das crianças’ do
software [CASAMENTO].

Uma das melhores soluções é o comando
[DESCULPAR.EXE/flores/all] assim que aparecer o
menor problema ou se travar o micro. Evite o uso
excessivo da tecla [ESC] (escapar). Para melhorar a
rentabilidade do [Esposa 1.0 ], aconselho o uso de
[Flores 5 .1], [ Férias_No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3 ].

Os resultados são bem interessantes!
Mas nunca instale [Secretária_De_Minissaia 3.3],
[ Antiga_Namorada 2.6] ou [ Turma_Do_Chopp 4.6], pois
não funcionam depois de ter sido instalado o [ Esposa 1.0]
e podem causar problemas irreparáveis no sistema.

Com relação ao programa [ Sexo 5.1] esquece! Esse roda quando quer.

Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de
instalar o [Esposa1.0 ] a orientação seria: NUNCA
INSTALE O [ESPOSA 1.0] sem ter a certeza de que é
capaz de usá-lo!

Léo Vivas
Assistência técnica em Informática
na empresa: DANOSSE

cicatriz, Conto, Drama, Gratidão

Cicatrizes

casa-do-lago

Num dia caloroso de verão no sul da Florida, um garoto decidiu ir
nadar no lago atrás de sua casa.
Saiu correndo pela porta traseira, se jogou na água e ficou nadando feliz.
Sua mãe desde a casa olhava pela janela, e viu com horror o que estava acontecendo.
Em seguida correu atrás de seu filho gritando o mais forte que podia.
Ouvindo a mãe, o menino se tocou, olhou e foi nadando ate ela. Porém era tarde, muito tarde.
A mãe conseguiu agarrar o menino pelos braços justo quando o animal agarrava suas pernas.
A mulher lutava determinada, com toda a força do seu coração.
O crocodilo era mais forte, mas a mãe era muito mais apaixonada e seu amor não a abandonava.
Um senhor que escutou os gritos correu para o lugar com. uma pistola e matou o crocodilo.
O menino sobreviveu e, ainda que suas pernas tenham sofrido bastante, ele pôde voltar a caminhar.
Quando saiu do trauma, um enfermeiro lhe perguntou se ele queria mostrar as cicatrizes das suas pernas.
O menino levantou o lençol e mostrou ao rapaz, então, com grande orgulho e arregaçando as mangas
ele disse:
– Mas as que você deve ver são estas.
Eram as marcas das unhas da sua mãe que haviam pressionado  com força sua pele.
– As tenho porque mamãe não me soltou e salvou minha vida.

Moral da Historia: Nos também temos cicatrizes de um passado doloroso
algumas foram causadas por nossos pecados, por pequenas ou grandes falhas,
por desobediência, porem algumas foram das unhas de Deus que nos segurou
com força para que não caíssemos nas garras do mal. Deus te abençoe sempre,
mas lembra que se alguma vez doeu tua alma,
foi porque Deus te agarrou bem forte para que não caísses.

 

Amor, Deus, Drama

“Meus filhos escorregaram de minhas mãos”

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Quando um barco lotado de refugiados, a 500 metros da praia, começou a afundar, Abdullah Kurdi tentou salvar a sua família mas, segundo as suas próprias palavras, “meus filhos escorregaram de minhas mãos”. Posso imaginar, com o coração de pai e de avô, o desespero de Abdullah. Mais tarde, o corpo de um dos seus filhos, o pequeno Aylan Kurdi, de apenas três anos, foi achado morto na praia. Uma foto que chocou o mundo.

E foi pensando nisso que entendi: estamos todos no mesmo barco de Abdullah Kurdi. Um barco açoitado por ondas bravias e ventos impetuosos, lotados de pais desesperados, tentando salvar seus filhos das drogas, da gravidez na adolescência, do alcoolismo, da mentira, da violência urbana, das más companhias e da perdição eterna.

Olhamos para a foto de Aylan, morto na praia, e nos emocionamos ao pensarmos na hipótese de, se no lugar dele, estivesse um filho, neto ou sobrinho. A dor é tão grande que nos esquecemos que, pior, incomparavelmente pior, é a morte eterna. Nossos filhos não podem escorregar das nossas mãos. “Não geramos filhos para povoar o inferno”. Eles foram entregues a nós pelo Senhor e nós iremos entregá-los de volta ao Pai (Nosso).

Quando os filhos começam a escorregar das nossas mãos?

1) Quando não oramos por eles e com eles.

2) Quando nossas atitudes negam as nossas palavras.

3) Quando permitimos que eles desobedeçam a Deus, de forma sistemática, dentro das nossas casas.

4) Quando não colocamos limites para suas ações e palavras.

5) Quando confundimos fidelidade com cumplicidade.

6) Quando existem tios demais e pais de menos.

7) Quando terceirizamos para a igreja o ensino bíblico.

8) Quando não temos tempo para ouvi-los.

9) Quando qualquer desculpa é aceita para que eles se ausentem da igreja.

10) Quando ensinamos nossos filhos a decidirem por dinheiro.

Onde estava Deus quando Aylan caiu no mar? Ele está onde sempre esteve. Antes mesmo do soldado carregar seu corpo frio na praia turca, o Senhor já o havia levado no colo para casa.

Onde está Deus agora, quando o barco da nossa casa está açoitado por ventos e ondas tão ameaçadoras, e nossos filhos estão escorregando das nossas mãos, prestes a caírem no mar? Ele está onde sempre esteve, pronto para vir ao nosso encontro, andando por cima das ondas, enfrentando ventos impetuosos e dizendo : “… não tenham medo, coragem … sou Eu … ” Marcos 6:50

(Pr. Marcelo Gualberto)

Deus, Drama, Motivacional

O ENSINAMENTO DO FERREIRO

 ferreiro

Um ferreiro, depois de uma longa juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua vida a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou o bem, mas, apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida.

Muito pelo contrário: seus problemas e dúvidas acumulavam-se cada vez mais. Uma bela tarde, um amigo que o visitava – e que se compadecia de sua difícil situação – comentou:

— É realmente muito estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem bom, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda sua crença em Deus, nada tem melhorado.

O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e acabou encontrando a explicação que procurava. Eis o que disse o ferreiro:

— Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e é preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, pego o martelo mais pesado e aplico vários golpes, até que a peça adquira a forma desejada. Logo ela é mergulhada num balde de água fria, e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho de repetir este processo até conseguir a espada perfeita – uma vez apenas não é suficiente.

O ferreiro fez longa pausa e continuou:

— As vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada da minha ferraria.

Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu:

— Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas que a vida dá e, às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa repito pra mim mesmo é:

– não desista até que consiga tomar a forma que Deus espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais vou me colocar no monte de ferro velho das almas.

Drama, Objetivo

MAS AÍ OS RATOS APARECERAM…

ratos

Ao partir para uma longa viagem, o superior do mosteiro deu aos monges a seguinte recomendação:

— Cuidem do nosso mosteiro com carinho e austeridade, lembrando-se sempre de levar uma vida simples, respeitando o nosso voto de ter apenas o necessário para a nossa subsistência.

Nesse espírito de pobreza, cada monge possuía nada mais do que uma túnica e um par de sandálias. Nem bem o superior havia partido e o mosteiro foi atacado por uma praga de ratos vorazes, que roíam tudo que encontravam pela frente, não lhes escapando sequer as túnicas e as sandálias, únicas posses dos pobres monges.

— Precisamos arranjar uns gatos – disse um dos monges, obtendo imediatamente a aprovação de todos para a sua ideia.

Os gatos estavam vencendo os ratos, mas tomavam muito leite. Assim, um dos monges sugeriu:

— Seria muito bom se tivéssemos uma vaca… – E novamente todos concordaram com a ideia.

A vaca fornecia leite com abundância aos gatos, mas também precisava comer. Por isso, os monges resolveram formar um pasto, que para ser plantado e mantido precisou de adubo e ferramentas, que eles providenciaram junto com um paiol que tiveram de construir para armazenar as colheitas e um estábulo para os cavalos que conseguiram para puxar os arados e fazer os transportes…

Passaram-se longos anos, e um dia o superior voltou. No local onde julgava estar o mosteiro, pareceu-lhe ser agora uma próspera fazenda, com um vasto rebanho e muitas plantações.

O superior aproximou-se da cerca e perguntou a alguém que estava por ali trabalhando se ele sabia onde ficava o mosteiro. Ele disse que não sabia do que se tratava, mas ofereceu-se para conduzi-lo até a administração da fazenda, onde certamente poderiam lhe dar alguma informação.

Ao chegar à imponente construção onde funcionava a sede da fazenda, o superior imediatamente reconheceu um dos seus antigos monges e foi logo dizendo:

— Mas o que vem a ser isso tudo? O que foi que vocês fizeram do nosso mosteiro? Eu não lhes recomendei que levassem uma vida simples e sem ostentação, tendo apenas o necessário para a sua subsistência?

— Sim, mestre, sim, e era exatamente isso que estávamos fazendo. Mas aí os ratos apareceram…

(E quem são os ratos?…)

Drama

DINHEIRO OU JUSTIÇA

justi_a_ganha_do_dinheiro

Certo dia, um certo homem rico me abordou com o seguinte dilema:

– Se eu colocasse em um prato moedas de ouro e em outro justiça, qual você escolheria?

– Certamente escolheria o prato de moedas de ouro – respondi sem pestanejar.

O homem rico se surpreendeu com a minha resposta tão pouco nobre.

– Como? Dinheiro? O que o dinheiro tem de especial?

– Quer dizer que o senhor escolheria a justiça?

– Claro! A justiça é coisa que nem sempre se encontra, portanto, rara.

– O senhor escolhe assim como eu, o que lhe faz falta! O senhor escolhe a justiça porque não a tem.